Meu fascínio por Bernardo Soares...
Fragmento 12
Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. [...] Faço paisagens com o que sinto. [...] Desenrolo-me como uma meada multicolor, ou faço comigo figuras de cordel, como as que se tecem nas mãos espetadas e se passam de uma criança para as outras. [...]
Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. [...]. Crochê das coisas. Intervalo... Nada...
Fragmento 299
Cada vez que viajo, viajo imenso!
[...] ao passar diante de casas, de vilas, de chalés, vou vivendo em mim todas as vidas das criaturas que ali estão. Vivo todas aquelas vidas domésticas ao mesmo tempo. Sou o pai, a mãe, os filhos, os primos, a criada e o primo da criada, ao mesmo tempo e tudo junto, pela arte especial que tenho de sentir ao mesmo (tempo) várias sensações diversas, de viver ao mesmo tempo – e ao mesmo tempo por fora, vendo-as, e por dentro sentindo-as – as vidas de várias criaturas.

(Vendedor de frutas - Tarsila)
Eu também me desenrolo como uma meada multicolor, como uma teia de aranha que se faz e refaz tantas vezes e tantas outras...
Sou,
inexoravelmente,
octogonal.