Bem, contextualizando, Ju, minha irmã lindíssima, mora em Dubai desde setembro do ano passado e há dois meses trabalha como arquiteta numa firma duns ingrêiz aí que eu sinceramente não me lembro o nome... Mas que o nome da firma é pomposo, ah, isso é! Hehehehehehe!
Bem, Ju me contou que fez amizade com uma moça do Iraque e hoje foi convidada a almoçar em sua casa. O cardápio muito apetitoso, no melhor estilo "oriente-médio-de-ser": ovo mexido com tomate e cebola, bolo, frutas, tâmaras maravilhosas e borek!!!! Ai meu Deus, boreeeeeeek: eu amo borek!! Borek é uma massa típica da culinária do "Médio Oriente" (lindo, né! É assim que se diz em Portugal).
Mas, porém, contudo, todavia eu não tô aqui para falar da gastronomia do Islã nem de como tenho loucura por massas... Até porque vegetariana tem cardápio reduzido e seria totalmente frustrante ao caro leitor ficar ouvindo descrição de vegetais, pois a especialidade do Oriente Médio, é, entre outros alimentos, a carne de carneiro e eu ficaria com dó de falar do bichinho e daí fuderia tudo!!! (Meu Deus, mas que irritante mania que eu tenho de criar a todo instante subterfúgios!!! Por que será que eu não dou certo como jornalista??? Hahahahahahaha! É que simplesmente eu tenho uma incontrolável mania - é mais forte do que eu!!!!!!!! - de colocar vários pensamentos na cabeça e querer revelá-los ao mesmo tempo, num kháos diabólico, tremendamente diabólico de "diabolus" como na música - "badalo"; "movimento" - e daí sai essa zona do caralho e eu já perdi o que eu tinha pra falar... Mas tudo bem, kháos é mesmo meu nome: lembrando que "no começo era o kháos", tá lá no Hesíodo e os gregos sabiam contar histórias...).
Enfim, Ju foi almoçar na casa da amiga dela, a Bana (cala a boca agora Marcele e conta a história porra!!!!!). No apartamento moram Bana, de 27 anos, sua mãe, quarenta e poucos sei lá quantos poucos, e mais duas irmãs, uma de treze e outra de uns vinte, que está na universidade. Bana mora desde os treze em Dubai. Saiu do Iraque porque o pai, engenheiro, havia recebido uma boa proposta nos Emirados, então pegaram trem, gaiola, galinha, travesseiro, mala e liquidificador e se mandaram... Há pouco tempo o pai faleceu (Ju não quis entrar em detalhes sobre essas coisas mórbidas e que revelam tristeza, portanto não queira caro leitor que eu lhe provoque pathos porque isso simplesmente não vai acontecer... Se quiser isso vá assistir ao “Ghost” ou “Titanic” versão dublada em português e me deixe em paz!).
Voltando... O que achei interesse postar foram especialmente as histórias sobre o Iraque que Bana narrou à Ju. E como eu sei que Ju é pessoa extremamente inteligente e sensível, vale a pena revelar sua conversa.
Bana é curda, mas Ju não se lembra da região (e vocês aí lá pensam que é fácil ficar decorando todos esses nomes em árabe? Tá bão...). Então eu fui obrigada agora a fazer uma pausa, encher uma garrafinha de água, fazer aquele xixi básico e na volta, procurei aqui no meu amigo Gugou um mapa da região. "Se oriente rapaz", como diz meu outro amigo Gilberto Passos Gil Moreira:

Como dá pra perceber, a região dos curdos, localizada na parte norte do Iraque faz fronteira ao nordeste com o Irã e ao norte com a Turquia (Noffffa!!! Mas se você não falasse eu nem ia saber!!!! Hehehehehe! Pessoa idiota a dona desse botequim "A veia no pulso", o mapa tá aí ôôô cérebro de Adilson Maguila!!!).
Tá. Bana é curda. Ela disse que realmente Saddam perseguia os curdos, não é história da imprensa internacional não. C´est vrai! É bastante interessante ouvir a versão de uma iraquiana sobre a invasão dos féladasputadisgraçado dos americanos coordenado pelo orelhudomaisburrodoplaneta Jorjão (com todo respeito ao animalzinho burrinho, que é tão bonitinho e não tem nada a ver cos pobrrrrema do praneta). Ela conta que realmente Saddam era insano, doido de pedra mesmo. Matava sem dó nem piedade quem fosse contra sua pessoula. Era Herodes mesmo, matou muita gente inocente, contabilizando criancinha e papagaio, aquilo tudo mesmo... Parece brincadeira, mas não é. O massacre foi coisa feia e os turcos deram uma "ajudim" básica pro Saddanzito e isso não é pira minha. Detalhe: quando morava com o MumuKikodoChaves (Hahahahaha! Essa foi boa! Boa não, foi ótEma!!) ele, na condição de turco legítimo, sempre me dizia que os turcos deram uma forcinha para dizimar a minoria curda. Ele pode ser cornoféladaputa e louco, mas é inegável que ele é um sujeito que entende de história e geografia:
Não ponhei crédito porque isso aqui não é tese de doutorado! Além disso, o site where eu peguei a foto não indicava autoria. Whatever, foto dramática, sem necessidade de legenda. Imagino o fotógrafo que clicou a cena! Caralho! E o pai caído em cima da criança, provavelmente com os braços agarrados ao seu corpo frágil na intenção de protegê-la!! O mais triste é ver o pescocinho caído da criança... Dá vontade de abraçar e amar, dá vontade de chacoalhar a criança e berrar: "Ei, acorda! Não morre não!". É foda, mundo insano, mundo cão! E daí pastor fala em "promessa de inferno". Que promessa o caralho! O inferno é aqui meu fio! Desce do ônibus!!).
Enfim, tá certo que o Saddam não era o melhor cara do mundo (eu mesma nunca ia querer um amigo desses, nem mesmo no Orkut!!), mas nada justifica a invasão americana. O doido do féladumarapariga do Mugabe não tá matando todo mundo no Zimbabwe??? E cadê as tropas americanas por lá??? Não tem petróleo, né?! Besta sou eu que recebo salário do Requião! Enfim, o Saddam não era um cara jóia, um exemplo de sujeito, era um didator, e em tal condição, um cara sandinário, sádico e totalmente frio. Mas nada justifica a invasão. Segundo a Bana, depois da invasão do Iraque pelas American troops o país entrou num verdadeiro abandono, uma pobreza doida mesmo!!! Restaram os pobres, que não têm condição de comprar passagem e se mandar. A avó, o tio e os seus abandonaram o país, imigraram para a Jordânia e perderam a casa e toda uma vida de sacrifícios e trabalho. Quanto ao petróleo, ele vai bem, obrigada. Os americanos estão explorando que é uma beleza! E isso não é papo de tiete de Che Guevara, é fato relatado por iraquiana.
Bana é curda, mas fez a faculdade em Bagdá. A cidade era lindíssima, mas depois da invasão ficou devastada. A liberdade não era aquela Brastemp, mas o Iraque também não era país que reduzisse mulher à “sub” como certos vizinhos seus. Bana disse: “Nenhuma mulher era obrigada a usar chador em público. Também não havia diferença entre sexos no mercado de trabalho”. Tá bem que eu sei que “woman is the nigger of the world”, como dizia meu amicíssimo John Lennon, mas o que ela queria dizer é que o Iraque não tinha as mesmas exigências com a parte feminina como o Irã ou a Arábia Saudita. Aliás, sobre esse lance de chador, burca, vale sim um apêndice que eu destaco. O pensamento da Bana e da Ju sobre o assunto “mulhermuçulmanatemquesecobrir” é algo que achei espetacular: não, não se trata de questão religiosa. O caralho! Trata-se de uma questão muito mais política do que religiosa. É puramente uma manobra para controlar a população... Mas não vou entrar no mérito porque essa não é o núcleo central do texto. Mas que eu comungo do pensamento das duas, ah!, isso eu comungo!
Voltando ao nosso papo do almoço, entre as histórias relembradas pela mãe de Bana, uma realmente me marcou pelo traço trágicômico. O irmão da mãe-da-Bana-que-eu-não-sei-o-nome era temporão. Portanto, frequentava a escola quando ela já era mocinha... Como era de se imaginar, nas escolas os professores eram funcionários “treinados” e faziam aquela lavagem cerebral “básica” para que as crianças fossem militantes do governo. Para se ter uma idéia, na escola os alunos chamavam Saddam de “tio Saddam”! Hahahahahahahahahaha! Quase me esbugalhei de rir quando a Ju contou! “Tio Saddam?”. Imagine!!!! E a gente que acha absurdo ver os caras roubando e guardando os dóli na cueca!!! Tem coisa pior!!! Enfim, o irmão temporão amava o “Tio Saddam”. Era “Tio Saddam” para cá, “Tio Saddam” para lá e a família não podia falar nada porque as famílias mais instruídas e que criticavam o titio aí sofriam grande represália, então o negócio era calar a boca porque sempre tinham uns infirtrados e sabecomé... Entãocis, mas a história não acaba por aí: teve uma vez que o irmãzinho chegou com um pôster do “Tio Saddam” e queria porque queria pregá-lo na janela de casa. A família ficou numa sinuca de bico porque se criticasse ou tentasse instruir o pobre do moleque o bicho podia pegar para cima deles... Repressão é repressão!!! Então a mãe da Bana foi obrigada a colocar o pôster do Saddam na janela da sala. Ela fazia assim: de dia, quando o menino ia à escola, fechava a cortina, de módis a esconder a cara barbuda do “tio Saddam” e só a abria quando o menino retornava das aulas. Os anos se passaram e hoje, o menino, morre de rir do episódio. Até porque o lado tragicômico da história é que ele é de fato o irmão da mãe da Bana forçado a fugir à Jordânia...
Bem, vou terminar o brógui com um pensamento da Ju que anotei porque essa mulé sempre opina com coerência, nem parece a irmã desse ser que vos escreve e que bateu a cabeça na quina da mesa quando ainda era bebê. Vamos lá às palavras da Senhora Aires & Aires: “A gente tem uma impressão errada do Oriente Médio. A família de Bana é muito calorosa, muito acolhedora e querida, apesar da triste realidade. Achei muito legal elas terem me contado todas essas histórias. Era o que eu imaginava e foi triste ver que um país culturalmente tão rico quanto o Iraque está nessa situação”.
É isso.
Beijo Ju e obrigada pelo aprendizado.