Riobaldation

Eis arguns trechos do "Grande sertão: veredas"... Tudo na voz de Riobaldo, meu filósofo preferido, encantado, amigo das araras e dos buritis de dentro:

Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-e-vem, e a vida é burra... Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor... E as pessoas não nascem sempre? O senhor não vê? Deus existe mesmo quando não há.

O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Vedade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão. A força de Deus, quando quer - moço! - me dá medo pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê! Ele faz é na lei do mansinho - assim é o milagre.


E então o tirador de foto viu a alma da pessoa... (Sahel, Salgado)

Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para gente é no meio da travessia.

Eu queria decifrar as coisas que são importantes... Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder.

Viver é muito perigoso.... Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo querer o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxaram o mundo para si, para consertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo.


No deserto. O deserto, o deserto, o deserto é a coisa mais linda desse mundo (Salgado)

Anta entra na água, se rupêia. Mas, não. Era não. Era, que eu gostava dele. Gostava dele quando eu fechava os olhos. Um bem-querer que vinha do ar de meu nariz e do sonho de minhas noites.

Desde que da rede levantei, com aquele peso anoitecido, amanhecido nos olhos. Tempo de minha vazante.

Gosto melhor, para a idéia bem se abrir, é viajar em trem-de-ferro. Pudesse, vivia para cima e para baixo, dentro dele. Informação que pergunto: mesmo no Céu, fim de fim, como é que a alma vence se esquecer de tantos sofrimentos e maldades, no recibido e no dado? Ai como? O senhor sabe: há coisas medonhas demais, têm. Dor do corpo e dor da idéia marcam forte, tão forte como o todo amor e raiva de ódio. Vai, mar...


Eu amo essa foto do Salgado. Tem vida demais no olhar dela. Chega a doer de vida!!!

Ver o luar aluminando, mãe, e escutar como quantos gritos o vento se fase sozinho.

Se viam bandos tão compridos de araras, no ar, que pareciam um pano azul ou vermelho, desenrolado, esfiapado nos lombos do vento quente.

Acho que o espírito da gente é cavalo que escolhe estrada.

Comigo as coisas não têm hoje e anteontem amanhã: é sempre.


Primeira Comunhã, Salgado (Tem coisa mais Brasil que essa foto seu moço?)

E o menino pôs a mão na minha. Encostava e ficava fazendo parte melhor da minha pele, no profundo, como desse a minhas carnes alguma coisa. Era uma mão branca, com os dedos dela declidados. "Você também é animoso..." - me disse. Amanheci minha aurora.

O que eu guardo no giro da memória é aquela madrugada dobrada inteira: os cavaleiros no sombrio amontoados, feito bichos e árvores, o refinfim do orvalho, a estrela-d´alva, os grilinhos do campo, o pisar dos cavalos e a canção do Siruiz. Algum significado isso tem?... Aquele dia tinha sido forte coisa.

Eu não sentia nada. Só uma transformação, pesável. Muita coisa importante falta nome.


Odoiá! (Salgado)

Assim eu ouvi, era tão singular. Muito fiquei repetindo em minha mente as palavras... E ele me deu a mão. Daquela mão, eu recebia certezas. Dos olhos. Os olhos que ele punha em mim, tão externos, quase tristes de grandezas. Deu alma em cara. Adivinhei o que nós dois queríamos - logo eu disse: "Diadorim... Diadorim!" - com uma força de afeição. Ele sério sorriu. E eu gostava dele, gostava.... Aquele dia fora meu, me pertencia. Sertão é isto, o senho sabe: tudo incerto, tudo certo.

O que eu vi, sempre, é que toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada. Palavra pegante, dada ou guardada, que vai rompendo rumo.

Ave, vi de tudo neste mundo! Já vi até cavalo com soluço!

Esta vida está cheia de ocultos caminhos. Deus governa grandeza.


Sudão, Salgado. E tem coisa que a gente só sabe pintando mesmo...


 

FEDERICO GARCÍA LORCA

UM POEMA PERFEITO...


ROMANCE SONAMBULO

(A Gloria Ginery a Fernando de los Ríos)

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mary el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cinturaella sueña en su baranda
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.

*
Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha,
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde...?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
soñando en la mar amarga.

*
Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo por su manta.
Compadre, vengo sangrando
desde los puertos de Cabra.
Si yo pudiera, mocito,
este trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
Compadre, quiero morir
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿ No veis la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?
Trescientas rosas morenas
lleva tu pechera blanca.
Tu sangre rezuma y huele
alrededor de tu faja.
Pero yo ya no soy yo.
Ni mi casa es ya mi casa.
Dejadme subir al menos
hasta las altas barandas,
¡Dejadme subir!, dejadme
hasta las altas barandas.
Barandales de la luna
por donde retumba el agua.

*

Ya suben los dos compadres
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre.
Dejando un rastro de lágrimas.
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata.
Mil panderos de cristal,
herían la madrugada.

*
Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
Los dos compadres subieron.
El largo viento dejaba
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca.
¡Compadre! ¿Dónde está, dime?
¿Dónde está tu niña amarga?
¡Cuántas veces te esperó!
¡Cuántas veces te esperara,
cara fresca, negro pelo,
en esta verde baranda!

*
Sobre el rostro del aljibe,
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Un carámbano de luna
la sostiene sobre el agua.
La noche se puso íntima
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos
en la puerta golpeaban.
Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.

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EU, MEU NOME

Talvez tenha encontrado
a poesia do nome

Sou um cristal,
uma pedra a flutuar no abismo

Ela
é o exato momento
suspenso
antes da queda

(Susana Vargas)


(Cícero, Cícero, Cícero)


 

VAI TOMAR NO CU!!!!

Hoje tô com a boca suja pra caralho, tô politicamente incorreta, tô pior do que o Roberto Piva no especial realizado pela Cultura que foi ao ar na úrrrtima sexta, dia 4 de Júlio Cortazar. Entãocis, eu quase morri de rir porque o Piva falou umas frases óóótemas, do tipo: "Nietzsche só acreditava num Deus que soubesse dançar. Pois é, eu só acredito num Deus que saiba beber. Baco é meu Deus, Dionísio é meu Deus, Exú Tranca Rua é meu Deus!" Hahahahahahahaha! Muito boa essa! Outra pérola dele: "Eu sou monarquista porque comungo dum pensamento do Dalí. Uma vez ele disse ser monarquista porque é somente com o monarquismo que as bases se orientam completamente anarquistas!".
Pois é, ele bebe mas fala uns troços coerentes rapá! Esse Piva é mesmo um incompreendido.

Mas por que então tô puta hoje?
Na verdade tô puta desde ontem à noite. O lance dos policiais imbecis, filhos-da-puta, burros, mentecaptos, idiotas, boçais terem matado à sangue frio a criancinha de três anos. Eu confesso que na minha casa eu não ligo a tevê, ela é meramente um objeto de decoração porque eu tô cansada de ficar naquela de assistir tragédia e desgraça. Não sou muito masoquista neste sentindo não. Além disso eu preciso estudar, então a equação "leitura + tevê" não combina como não "orna" freira de biquini. Mas quando estou na casa da mama não tem jeito, a tevê é ligada 27 horas por dia. Ontem o Jornal da Rede Tevê e da Globo (fora os outros que não assisti) mostraram a dor do pai que teve o filho exterminado pela inteligente puliça. Meu Deus, mas que situação mais absurda!!!!!

O menino João Roberto Amorim Soares, de três aninhos, só três aninhos, foi atingido durante perseguição policial, na noite de domingo (6), na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, Rio. O absurdo: as antas dos filhos-da-puta sem cérebro dispararam SOMENTE 16 tiros no carro da família do menino, que teve morte cerebral. O que dá mais raiva é ver o imbecil do brocha (ele tem a maior cara de brocha sim!!!!) do secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, chamar de "desastrosa" a ação dos policiais militares: "Foi uma ação desastrosa, que demonstrou falta de preparo psicológico e operacional", afirmou. Meu Deus, mas então fica por isso mesmo?:

- Olha, desculpa aí, foi desastrosa a ação...
- Tudo bem Beltrame, a gente entende, tadinhos dos policiais, tão sob tensão...

Bando de filhos-da-puta (com todo respeito às putas e com toda ênfase à conotação do palavrão!).

Os dois PMs envolvidos na operação foram presos no 6º Batalhão (Tijuca) e quem acredita que eles vão sofrer qualquer tipo sério de punição?
Alternativa A ( ) Papai Noel
Alternativa B ( ) Coelhinho da Páscoa
Alternativa C ( ) Fada do dente
Alernativa D ( ) todas acima

Daqui a pouco, quando a merda da mídia encontrar outros corpos para atacar de urubu, daí ninguém vai se lembrar do menino tampouco da dor do pai. A imagem daquele pai desesperado, o taxista Paulo Roberto Soares, indignado, doido da vida acabou me comovendo porque o cara é trabalhador, rala mesmo... A mãe das crianças (tinha outro bebê no carro, esse de nove meses, que não teve ferimento algum), Alessandra Amorim Soares, conta que os policiais atiraram no carro que ela dirigia, um Palio Weekend.
Os policiais idiotas e sem massa cefálica alegam que trocavam tiros com ladrões de um Fiat Stilo preto e negaram ter atirado em direção ao carro em que estava João. Ahã, claro, tá, eu acredito nisso. O João foi morto pela Suzane von Richthofen, tá bom então, desculpa aí puliçaiada.

A mãe da vítima contesta a declaração furada, revelando que um carro preto passou por ela em alta velocidade. Em seguida, ao ouvir a sirene policial, deduziu que havia uma perseguição e deu passagem à patrulha da PM. Neste momento os policiais começaram a disparar contra o carro dela, que tem os vidros cobertos por película escura. Mesmo ferida na barriga e nas pernas, Alessandra abriu a janela e jogou a bolsa infantil que carregava, para mostrar aos PMs que lá havia crianças. Os policiais ainda gritaram: "Cadê o bandido? Cadê o bandido?" (tá na tua casa, comendo a tua mãe, filha-da-puta!!!!). Foi quando ela saltou do Palio, abriu a porta traseira, pegou o corpo do primogênito, estendeu-o no chão e repetiu para os policiais, duas vezes: "Vocês mataram meu filho".

Isso é cena de filme?
Não, infelizmente não é novela da Rede Globo com a gostosona da Juliana Paes fazendo papel de mãe desesperada ensaguentada de catchup.
That´s life babe.

O pai, comovido, disse à imprensa: "Os policiais metralharam o carro da minha mulher e não deram chance de defesa. Tinha criança dentro do carro. Quase que matam a família toda. Minha mulher está com o corpo cheio de estilhaços. Ela encostou o carro como todos nós faríamos para dar passagem. Eles não perseguiram bandidos, eles seguiram o carro da minha família, e metralharam um carro com uma mulher e duas crianças dentro."

Segundo os médicos, a bala que matou João Roberto entrou pela nuca e se alojou na parte frontal da cabeça. À tarde, o hospital informou que o casal concordou com a doação dos órgãos do filho.

Situação absurda, surreal. E daí vem o brocha do Beltrame (ainda bem que ninguém lê o meu blog e eu posso chamar o Beltrame de brocha quantas vezes eu quiser!!!! Brocha! brocha! Brocha!) dizendo que "um fato como esse não tem desculpa", mas que os policiais que atuam no bairro da Tijuca estão sob "constante tensão": "O policial que sai para a rua em um domingo à noite em uma zona que tem 19 morros já sai preparado, vigilante".

Nada justifica Beltrame, nada!!!! O cara já tá virando expert em dar entrevistas vagas falando sobre as ações "desastrosas" da polícia do Rio. Olha caro secretário brocha, tem dias que eu também trabalho pra caralho, tem dias que eu tenho vontade de mandar os alunos imaturos que me enchem o saco por causa de nota tomarem no cu, tem horas que eu tenho vontade de dizer para uma porção deles: "Olha seus merdas, vocês não servem nem para limpar privada, seus inúteis", mas eu penso, reflito, conto até três, respiro fundo e ajo com coerência, como é para ser. É claro que não se pode comparar as duas situações, seria realmente um absurdo se eu usasse do discurso para isso, afinal eu não recebo nem 1% da tensão que os policiais desenvolvem ao trabalhar em contato diário com a violência.

Mas tem um pequeno detalhe: cada um desses policiais ESCOLHEU esse trabalho. Nenhum foi recrutado à força... E daí vem a pergunta preconceituosa (mas verdadeira), até porque diante de uma situação dessas eu sou preconceituosa pra caralho e que se fodam os politicamente corretos (eu quero é que esse povo se foda meeeeeeesmo!): "Alguém com o mínimo de formação intelectual e moral, alguém com oportunidades no mercado de trabalho ESCOLHE ser policial?". Eu nunca vi um adulto de bom senso sonhar em ser policial. A maioria das pessoas que se submete à profissão se revela uma massa de frustrados, de gente sem a menor perspectiva no mercado de trabalho. Gente que escolhe entrar pra "puliça" como quem faz um concurso pra trabalhar em emprego que garanta salário, mais passe de ônibus e ticket alimentação. Não há preparo algum.

E isso é grave. Porque muitos dos que entram são uns completos de uns boçais, que diante do fato de serem uns merdas, uns frustrados, acabam repassando o "poder" que não têm no cano de uma arma. E daí a gente vira refém das antas. Falta treinamento, falta raciocínio, falta cérebro e falta carreira à polícia.

O secretário anunciou nesta segunda que a Secretaria Estadual da Segurança Pública irá inaugurar uma espécie de "universidade" (hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!) para a formação de policiais. Depois que acontecem os absurdos, daí inaugura "facorrrrdade", daí tudo se "árresorve"!!!!!
Eu queria é que naquele carro estivesse a família do delegado que falou à imprensa: "Vamos averiguar o caso". (Horrível o que eu falei, sei disso, mas tô me deixando ser conduzida pelo sentimento de revolta. Essa é, antes de tudo, uma escrita aquática como a de Breton e que se fodam novamente os politicamente corretos! Eles que morram assados na fogueira, bando de hipócritas!!!! Pimenta nos olhos dos outros é refresco, né, seus filhos-da-puta!!!!).

É, e pelo jeito vai ficar no "estamos averiguando o caso", num gerúndio infinito e imoral.

E por falar em imoral, já que hoje eu tô possuída cá Pomba-Gira, co Zé Pilintra, co Exu Tranca Rua e ca Macaca Monga do parque de diversão, eu vou fazer um protesto contra o Detran:

EI, DETRAN, VAI TOMAR NO CU!!!!!!!

É palhaçada esse negócio de renovar a carteira. Primeiro que a gente paga uma nota pra ir lá fazer o teste de visão (que tudo bem) e um outro ridículo de "Direção Defensiva"... Vou colocar uma frase do Tio Miloquinha que define bem a palhaçada: "Sou motorista há mais de cinquenta anos e NUNCA bati o carro, NUNCA atropelei ninguém e NUNCA realizei qualquer tipo de infração. Daí vem os caras e me obrigam a fazer esse teste ridículo, como se fosse surtir efeito e conter toda a violência no trânsito. Esses palhaços só querem o nosso dinheiro".

E eu acrescento: só querem o nosso dinheiro e ainda por cima inventam o teste para fazer de conta que algo de fato contém a violência no trânsito, os acidentes e todos os males nas estradas...

Isso é ótimo. Eu acho que o Detran e os policiais deviam todos frequentar a mesma universidade...

Ai que hoje todo mundo merece mesmo tomar no cu!!!!!

Pronto. Xinguei bastante. E eu faço essas baixarias quantas vezes eu bem entender porque o brógui é meu e novamente eu uso do mote: "o brógui é meu e eu possa ponhá nele o que eu querê!".

Tá falado. E se não gostou do que eu falei vai passar talquinho na bundinha dos policiais e dar beijinho neles, vai lá!!!! (na verdade tô possuída com o espírito do Alborghetti).

Pra terminar, um questionamento do próprio pai do menino: "Eles não tiveram piedade, eles não tiveram pena. Gente, que polícia é essa?".


 

Uma talvez Júlia não tem nada a ver com isso

Acabei de conversar com a Ju. Ficamos um tempão no skype e ela me contando sobre como foi seu dia... Achei a história muito interessante e resolvi postar. O texto é grande e quem tiver preguiça de ler que vá assistir à Vanessa Camargo cantando Mariah Carey em versão sertaneja no programa da Hebe e me deixe em paz!

Bem, contextualizando, Ju, minha irmã lindíssima, mora em Dubai desde setembro do ano passado e há dois meses trabalha como arquiteta numa firma duns ingrêiz aí que eu sinceramente não me lembro o nome... Mas que o nome da firma é pomposo, ah, isso é! Hehehehehehe!

Bem, Ju me contou que fez amizade com uma moça do Iraque e hoje foi convidada a almoçar em sua casa. O cardápio muito apetitoso, no melhor estilo "oriente-médio-de-ser": ovo mexido com tomate e cebola, bolo, frutas, tâmaras maravilhosas e borek!!!! Ai meu Deus, boreeeeeeek: eu amo borek!! Borek é uma massa típica da culinária do "Médio Oriente" (lindo, né! É assim que se diz em Portugal).

Mas, porém, contudo, todavia eu não tô aqui para falar da gastronomia do Islã nem de como tenho loucura por massas... Até porque vegetariana tem cardápio reduzido e seria totalmente frustrante ao caro leitor ficar ouvindo descrição de vegetais, pois a especialidade do Oriente Médio, é, entre outros alimentos, a carne de carneiro e eu ficaria com dó de falar do bichinho e daí fuderia tudo!!! (Meu Deus, mas que irritante mania que eu tenho de criar a todo instante subterfúgios!!! Por que será que eu não dou certo como jornalista??? Hahahahahahaha! É que simplesmente eu tenho uma incontrolável mania - é mais forte do que eu!!!!!!!! - de colocar vários pensamentos na cabeça e querer revelá-los ao mesmo tempo, num kháos diabólico, tremendamente diabólico de "diabolus" como na música - "badalo"; "movimento" - e daí sai essa zona do caralho e eu já perdi o que eu tinha pra falar... Mas tudo bem, kháos é mesmo meu nome: lembrando que "no começo era o kháos", tá lá no Hesíodo e os gregos sabiam contar histórias...).

Enfim, Ju foi almoçar na casa da amiga dela, a Bana (cala a boca agora Marcele e conta a história porra!!!!!). No apartamento moram Bana, de 27 anos, sua mãe, quarenta e poucos sei lá quantos poucos, e mais duas irmãs, uma de treze e outra de uns vinte, que está na universidade. Bana mora desde os treze em Dubai. Saiu do Iraque porque o pai, engenheiro, havia recebido uma boa proposta nos Emirados, então pegaram trem, gaiola, galinha, travesseiro, mala e liquidificador e se mandaram... Há pouco tempo o pai faleceu (Ju não quis entrar em detalhes sobre essas coisas mórbidas e que revelam tristeza, portanto não queira caro leitor que eu lhe provoque pathos porque isso simplesmente não vai acontecer... Se quiser isso vá assistir ao “Ghost” ou “Titanic” versão dublada em português e me deixe em paz!).

Voltando... O que achei interesse postar foram especialmente as histórias sobre o Iraque que Bana narrou à Ju. E como eu sei que Ju é pessoa extremamente inteligente e sensível, vale a pena revelar sua conversa.

Bana é curda, mas Ju não se lembra da região (e vocês aí lá pensam que é fácil ficar decorando todos esses nomes em árabe? Tá bão...). Então eu fui obrigada agora a fazer uma pausa, encher uma garrafinha de água, fazer aquele xixi básico e na volta, procurei aqui no meu amigo Gugou um mapa da região. "Se oriente rapaz", como diz meu outro amigo Gilberto Passos Gil Moreira:



Como dá pra perceber, a região dos curdos, localizada na parte norte do Iraque faz fronteira ao nordeste com o Irã e ao norte com a Turquia (Noffffa!!! Mas se você não falasse eu nem ia saber!!!! Hehehehehe! Pessoa idiota a dona desse botequim "A veia no pulso", o mapa tá aí ôôô cérebro de Adilson Maguila!!!).

Tá. Bana é curda. Ela disse que realmente Saddam perseguia os curdos, não é história da imprensa internacional não. C´est vrai! É bastante interessante ouvir a versão de uma iraquiana sobre a invasão dos féladasputadisgraçado dos americanos coordenado pelo orelhudomaisburrodoplaneta Jorjão (com todo respeito ao animalzinho burrinho, que é tão bonitinho e não tem nada a ver cos pobrrrrema do praneta). Ela conta que realmente Saddam era insano, doido de pedra mesmo. Matava sem dó nem piedade quem fosse contra sua pessoula. Era Herodes mesmo, matou muita gente inocente, contabilizando criancinha e papagaio, aquilo tudo mesmo... Parece brincadeira, mas não é. O massacre foi coisa feia e os turcos deram uma "ajudim" básica pro Saddanzito e isso não é pira minha. Detalhe: quando morava com o MumuKikodoChaves (Hahahahaha! Essa foi boa! Boa não, foi ótEma!!) ele, na condição de turco legítimo, sempre me dizia que os turcos deram uma forcinha para dizimar a minoria curda. Ele pode ser cornoféladaputa e louco, mas é inegável que ele é um sujeito que entende de história e geografia:



Não ponhei crédito porque isso aqui não é tese de doutorado! Além disso, o site where eu peguei a foto não indicava autoria. Whatever, foto dramática, sem necessidade de legenda. Imagino o fotógrafo que clicou a cena! Caralho! E o pai caído em cima da criança, provavelmente com os braços agarrados ao seu corpo frágil na intenção de protegê-la!! O mais triste é ver o pescocinho caído da criança... Dá vontade de abraçar e amar, dá vontade de chacoalhar a criança e berrar: "Ei, acorda! Não morre não!". É foda, mundo insano, mundo cão! E daí pastor fala em "promessa de inferno". Que promessa o caralho! O inferno é aqui meu fio! Desce do ônibus!!).

Enfim, tá certo que o Saddam não era o melhor cara do mundo (eu mesma nunca ia querer um amigo desses, nem mesmo no Orkut!!), mas nada justifica a invasão americana. O doido do féladumarapariga do Mugabe não tá matando todo mundo no Zimbabwe??? E cadê as tropas americanas por lá??? Não tem petróleo, né?! Besta sou eu que recebo salário do Requião! Enfim, o Saddam não era um cara jóia, um exemplo de sujeito, era um didator, e em tal condição, um cara sandinário, sádico e totalmente frio. Mas nada justifica a invasão. Segundo a Bana, depois da invasão do Iraque pelas American troops o país entrou num verdadeiro abandono, uma pobreza doida mesmo!!! Restaram os pobres, que não têm condição de comprar passagem e se mandar. A avó, o tio e os seus abandonaram o país, imigraram para a Jordânia e perderam a casa e toda uma vida de sacrifícios e trabalho. Quanto ao petróleo, ele vai bem, obrigada. Os americanos estão explorando que é uma beleza! E isso não é papo de tiete de Che Guevara, é fato relatado por iraquiana.

Bana é curda, mas fez a faculdade em Bagdá. A cidade era lindíssima, mas depois da invasão ficou devastada. A liberdade não era aquela Brastemp, mas o Iraque também não era país que reduzisse mulher à “sub” como certos vizinhos seus. Bana disse: “Nenhuma mulher era obrigada a usar chador em público. Também não havia diferença entre sexos no mercado de trabalho”. Tá bem que eu sei que “woman is the nigger of the world”, como dizia meu amicíssimo John Lennon, mas o que ela queria dizer é que o Iraque não tinha as mesmas exigências com a parte feminina como o Irã ou a Arábia Saudita. Aliás, sobre esse lance de chador, burca, vale sim um apêndice que eu destaco. O pensamento da Bana e da Ju sobre o assunto “mulhermuçulmanatemquesecobrir” é algo que achei espetacular: não, não se trata de questão religiosa. O caralho! Trata-se de uma questão muito mais política do que religiosa. É puramente uma manobra para controlar a população... Mas não vou entrar no mérito porque essa não é o núcleo central do texto. Mas que eu comungo do pensamento das duas, ah!, isso eu comungo!

Voltando ao nosso papo do almoço, entre as histórias relembradas pela mãe de Bana, uma realmente me marcou pelo traço trágicômico. O irmão da mãe-da-Bana-que-eu-não-sei-o-nome era temporão. Portanto, frequentava a escola quando ela já era mocinha... Como era de se imaginar, nas escolas os professores eram funcionários “treinados” e faziam aquela lavagem cerebral “básica” para que as crianças fossem militantes do governo. Para se ter uma idéia, na escola os alunos chamavam Saddam de “tio Saddam”! Hahahahahahahahahaha! Quase me esbugalhei de rir quando a Ju contou! “Tio Saddam?”. Imagine!!!! E a gente que acha absurdo ver os caras roubando e guardando os dóli na cueca!!! Tem coisa pior!!! Enfim, o irmão temporão amava o “Tio Saddam”. Era “Tio Saddam” para cá, “Tio Saddam” para lá e a família não podia falar nada porque as famílias mais instruídas e que criticavam o titio aí sofriam grande represália, então o negócio era calar a boca porque sempre tinham uns infirtrados e sabecomé... Entãocis, mas a história não acaba por aí: teve uma vez que o irmãzinho chegou com um pôster do “Tio Saddam” e queria porque queria pregá-lo na janela de casa. A família ficou numa sinuca de bico porque se criticasse ou tentasse instruir o pobre do moleque o bicho podia pegar para cima deles... Repressão é repressão!!! Então a mãe da Bana foi obrigada a colocar o pôster do Saddam na janela da sala. Ela fazia assim: de dia, quando o menino ia à escola, fechava a cortina, de módis a esconder a cara barbuda do “tio Saddam” e só a abria quando o menino retornava das aulas. Os anos se passaram e hoje, o menino, morre de rir do episódio. Até porque o lado tragicômico da história é que ele é de fato o irmão da mãe da Bana forçado a fugir à Jordânia...

Bem, vou terminar o brógui com um pensamento da Ju que anotei porque essa mulé sempre opina com coerência, nem parece a irmã desse ser que vos escreve e que bateu a cabeça na quina da mesa quando ainda era bebê. Vamos lá às palavras da Senhora Aires & Aires: “A gente tem uma impressão errada do Oriente Médio. A família de Bana é muito calorosa, muito acolhedora e querida, apesar da triste realidade. Achei muito legal elas terem me contado todas essas histórias. Era o que eu imaginava e foi triste ver que um país culturalmente tão rico quanto o Iraque está nessa situação”.

É isso.

Beijo Ju e obrigada pelo aprendizado.


 

Os desejos inconscientes do homem são seu destino

Bas tardi titio Freud. A verdade é que eu agora tenho que estudar seu Sigmund e dessa vez não é invenção minha! Well, não é de endoidar tanto não. Eu mesma e minha humirdi pessoa achamos que Freud não tem nada de complicado, ele é bem didático, trabalha com analogias e alegorias... São os idiotas que complicam o que ele esquematizou. Freud é matemático também. Cruzou a álgebra do insconciente, sem esquecer de colocar aquela dose de sol, de sal e de ópio no meio da mistura. !Vale!
Hoje tô necessitada de García Lorca. Aliás, tô sempre carente dele, el más grandioso poeta español de todos los tiempos. Así es. (Pausa para o trecho grifado: do caralho!!!!)

PAISAJE CON DOS TUMBAS Y UN PERRO ASIRIO

Amigo,
levántate para que oigas aullar
al perro asirio.
Las tres ninfas del cáncer han estado bailando, hijo mío.
Trajeron unas montañas de lacre rojo
y unas sábanas duras donde estaba el cáncer dormido.
El caballo tenía un ojo en el cuello
y la luna estaba en cielo tan frío
que tuvo que desgarrarse su monte de Venus
y ahogar en sangre y ceniza los cementerios antiguos.

Amigo,
despierta, que los montes todavía no respiran
Y las hierbas de mi corazón están en otro sitio.
No importa que estés lleno de agua de mar.
Yo amé mucho tiempo a un niño
que tenía cien años dentro de un cuchillo.

Despierta. Calla. Escucha. Incorpórate un poco.El aullido
es una larga lengua morada que deja
hormigas de espanto y licor de lirios.
Ya viene hacia la roca. ¡No alargues tus raíces!
Se acerca. Gime. No solloces en sueños, amigo.

!Amigo!
Levántate para que oigas aullar
al perro asirio.


Uma das melhores cenas do Last Tango in Paris (aaaaaaaamo os globos, os veiacos dançando ao som do Gato Barbieri e a tomada em círculo):
http://www.youtube.com/watch?v=qX_4A6d_Q-U

Esse poema me lembra a obra "Triângulo Metafísico" (1958) do Di Chirico. Mas eu não vou "ponhá o quadro dele não no meu bróguissu. Vô ponhá a Dora Maar prusquê ela é linda e o brógui é meu eu eu ponho o que eu querê cacete!. E por favor, pega lá um Alegra na farmácia porque eu tô quase morrendo de rinite!!!!"

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