Nadja

Quem sou eu? Se pudesse metaforizar esta questão, talvez seria com algo como "a quem assusto?". Devo admitir que esta palavra realmente pode soar confusa, tendendo a permanecer entre as relações pessoais com certos seres que a mim me parecem tão estranhos, tão apegados à minha existência, inquietando meu espírito. Sim, o significado desta palavra vai muito além do que se revela à superfície. Por isto mesmo, ela, a palavra viva, não me oferece alternativas a não ser viver em estado de enigma, de modo que eu necessito "não ser" para poder, de fato, ser. E por mais distorcida que tal idéia se demonstre, a palavra... ah! a palavra sugere que aquilo que eu considero objetivo delibera que as manifestações de minha existência são meramente premissas, e, com os limites desta existência, manifesta-se uma ação cuja verdade é completamente desconhecida.
(Versão própria do primeiro parágrafo de Nadja, de Breton, 1928. Fonte: da trad. em inglês de Richard Howard)

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