Y así medio bailando, medio volando...

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Tango.
Quando a confusão mental se instaura diante de milhares de possibilidades, daí a trilha do meu momento é tango. Meu Deus, mas são tantas portas que eu nem sei quais abrir!!! (- Vem cá: mas pode abrir mais de uma porta?).
I don´t know, muchas escojas... Son largos los caminos e eu só sei mesmo que tango é drama puro e como é bom ser dramáááááááático!
Sabe, hoje me toquei que prefiro ser assim estragada mesmo, prefiro toda essa dramaticidade carregada ao invés da coisa morna.
É assim que hoje um amigo me definiu e que me defino eumyselfmesma também: sou drama puro. Organicamente dramática, do dedão do pé direito aos rins e vasos linfáticos.

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Ortega y Gasset vai bem agora, purão, sem gelo, caubói mesmo:
O nosso mundo é a dimensão de fatalidade que integra a nossa vida.
Mas esta fatalidade vital não se parece à mecânica. Não somos arremessados para a existência como a bala de um fuzil, cuja trajetória está absolutamente pré-determinada. A fatalidade em que nos encontramos ao cair neste mundo – o mundo é sempre este, este de agora – consiste em todo o contrário. Em vez de impor-nos uma trajetória, impõe-nos várias e, consequentemente, força-nos... a escolher.

Viver é sentir-se fatalmente forçado a exercitar a liberdade, a decidir o que vamos ser neste mundo.

As circunstâncias são o dilema, sempre novo...

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Ogunhê

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Até que um dia um homem saía para o mundo "para ver se é verdade". Antes de morrer, um homem precisa saber se é verdade. Um dia enfim um homem tem que sair em busca do lugar comum de um homem. Então um dia o homem freta o seu navio. E, de madrugada, parte.
(Clarice em "A maçã no escuro")

(Fótia da Grá) - Muié tarada por pés!!!!! Hehehehehehehe!


Continua valendo...

Há certos dias que nascem
como quem nasce da placenta da mãe.
E presta atenção no que eu vou te dizer:
nascer da placenta é algo muito sério!!!!
Eu nasci da placenta,
filha de Oduduá e Iemanjá:
tenho Jorge no couro,
tenho Jorge correndo nas veias.

Eu venço o combate porque nasci da placenta.
"Ogun Mejê Mejê Lodê Iré".
Nasci toda bonita:
nem precisei de coroa de contas de vidro ornada de missangas
porque minha realeza está no que há de terra,
sal, concha,
quente da superfície que banha meus pés de marrom.

Tenho contas azuis dentro do peito
e Ogum abre meus caminhos.

Salve Jorge!
Mas eu bem sei que Beji e Bejada vivem aqui dentro
desde que nasci da placenta.
Ogum me guia,
Ibeji-criança é o que reside em mim.
Essa dualidade grande é da natureza descarnada
que não é porra nenhuma desprendida:
essa - inevitável dizê-lo -soy yo.

(Morro Vermelho - Segall - 1926) - Amooooooooooo!!!!!

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A mulher de todos

Semana passada tive a grande felicidade de assistir ao festival de Cinema de Ouro Preto. Muito bem organizado e com produções de qualidade, inclusive o "Satori Uso", do Grota. Aliás Rodrigo mizifi, que demais estava o cenário: teu filme foi exibido às 19h e pouco, luzes acesas na praça Tiradentes, o sino da Igreja de São Francisco de Assis tocando enquanto a tua película rodava. Algo doido, psicodélico, algo de surpresa como essas coisas de Pedro Páramo, Macunaíma e Bergman!
Do caralho mesmo, você ia amar, pena que não deu pra sua pessoa ir!!!!!

Agora o que realmente me arrebatou foi "A Mulher de Todos" (1969), primeiro filme de Rogério Sganzerla depois do impactante "O Bandido da Luz Vermelha" (1968). O roteiro é baseado no texto de Egídio Eccio.

Para iniciar esse texto eu achei legal comungar do sentimento que Daniel Caetano (http://www.contracampo.com.br/30/mulherdetodos.htm) teve em sua leitura sobre o filme com título homônimo ao meu. Sua primeira impressão:

Por me propor a escrever sobre A Mulher de Todos, decidi rever mais uma vez o filme. E aí cheguei a pensar em algumas coisas esparsas a desenvolver. Mas um grande, sonoro e caudaloso palavrão talvez desse conta de todo o sentimento que as palavrinhas tentariam organizar a partir do filme. Então, fica o registro:
— Puta que pariu!!!!!!!
Será este o filme nacional do século 21? Do 16 ou do 21?


Faço minhas as tuas palavras Daniel: "Puta que pariu!!!!!"

Como referência vou citar trechos do Daniel e do excelente artigo do Leonardo Bonfim presente na revista virtual "The Freakium": (www.freakium.com/edicao5_mulherdetodos.htm) . Aliás, estes dois textos que cito são uma das melhores críticas de cinema que andei lendo nos últimos tempos.

Leonardo abre sua análise esclarecendo: "Antes de qualquer coisa gostaria de deixar bem claro que isto não é uma matéria, e sim uma declaração de amor".

Porra Leonardo, tive a mesma sensação ao assistir ao filme. Eu simplesmente caí de amores por Ângela Carne e Osso. Fiquei encantanda, doida mesmo!!! Sabe quando a gente sai do cinema dizendo: "Caraaaalho!!!". Nem quis assistir ao filme que vinha na sequência no Festival.

Definindo, "A Mulher de Todos" é um filme muito meu. "Meu" porque Helena Ignez interpretou Ângela Carne e Osso de um modo sublime. Eis uma anti-heróina, alguém a frente de seu tempo. Ou, como diz o Leonardo, "é uma mulher que, mesmo no novo milênio, nunca aconteceu". Adorei a reflexão dele: "Nenhuma mulher até hoje conseguiu ser Ângela Carne e Osso por mais de quinze minutos". Só que eu vou além e ouso dizer que ela é a mulher que deixo guardada quieta e calada dentro, mas que pode explodir a qualquer minuto sem que consiga controlar ou dominar os instintos que nos fazem "tudoédivinomaravilhoso" (dá pra perceber que escuto a Gal enquanto escrevo).

Pois bem, logo no início do filme eu entrei no "plasma do mistério", só para plagiar a Claricemeuamor!, em especial devido à atmosfera propicidada pelo estilo 35mm, pb e pelo jogo de filtros que envolvem os espectadores retrôs como yo. Ângela é a mulher que todas querem ser: livre. "A inimiga número um dos homens" centra o olhar irresistível à câmera e, com uma faca por entre os dentes, solta seu sensacional mote: "Nós não gostamos de gente!".

Outra frase que achei superrrrr e que até já adotei como mote: "Eu agora vou me dedicar aos boçais. Homem bacana só dá trabalho" Hahahahahahahaha! Genial, genial, genial!!!!

Ângela, "a rainha dos boçais", "vampira tresloucada", "bêbada", "drogada", "histérica", "ninfomaníaca", que canta Noel Rosa "Ah! Que mulher indigesta, merece um tijolo na testa"!!! Genial!

A grande anti-heroína ainda tenta se defender: "Dizem que sou louca, histérica. Mas eu sou uma mulher normal!". O pior é que toda mulher é histérica, como dizem meus amigos Freud, Breton e Dalí. E eles estão certos até o último fio de cabelo! Hahahahaha! Ângela Carne e Osso, de biquini, semi-nua se requebrando enquanto rola rock e Gal na vitrola (por isso estou ouvindo Gal 60/70´s). Ângela, aquela que chega a enfiar uma agulha num de seus inúmeros amantes e em seguida nela mesma... A própria Helena Ignez, em entrevista ao Pasquim (edição n.33, 5-11 de fevereiro de 1970. Vale a pena conferir!!!! Excelente!!!!) assume o clima de libertinagem do filme: "E eu tive essa possibilidade, uma liberdade incrível de fazer diabos, misérias".

Concordo plenamente com o que o Daniel diz em seu artigo e assino em baixo: "Helena é como Garbo, como Lilian Gish, como Bardot jovem, como Deneuve, uma das mais magnéticas presenças já descobertas a vinte e quatro quadros por segundo e também uma atriz excepcional, e o filme é o filme de um homem apaixonado". Pudera: o diretor Rogério Sgarzela é seu companheiro.

Daniel prossegue seu pensamento: "Apaixonado como o corno boçal Plirtz, o mais boçal de todos, o magnata do cartel dos quadrinhos desconfia que Ângela está lhe traindo, e até contrata um detetive para seguir a esposa. Com quem ela lhe trai? Ora, compadre, procura uma lista telefônica... Também, um cara que tem tesão em ser chamado de bitolado, quer o quê, mané? Até o detetive cai de quatro e entra na roda!".

Olha, para entender o filme é preciso, antes de tudo, entrar no clima de Ângela e dar anteção á sua pergunta essencial: "O que você vai fazer no final de semana? Já foi à Ilha dos Prazeres?".

A estratégia da Ilha dos Prazeres é maravilhosa, senti como se Sganzerla dialogasse diretamente com Felinni em "8 ½". Cenário este muito propício à manifestação dos mais incríveis personagens, que me deixaram completamente extasiada: Doktor Plirtz, marido de Ângela, um magnata bitolado e nazista (olha aí o Sganzerla tirando os militares imbecis!) vivido por Jô Soares; o único milionário negro brasileiro encenado por Antônio Pitanga (outra crítica do caralho! Hahahaha! Amei!); o casal barango de São Paulo que polui a praia ("Bem, compra uma Cuba!"); e o toureiro gay assaltado por Ângela e que a mim me soou como um dos momentos mais cômicos do cinema nacional. Quando percebe que foi roubado e não terá como pagar seu curso de cabelelllleiro (como diz uma amiga!), desespera-se, desmunheca e xinga mais do que eu quando lasco o pé na quina da cadeira!

Ângela é tão absoluta que até mesmo seu fim é genial: "Sou um demônio anti-ocidental, eu cheguei antes!". E para finalizar, vou citar o último parágrafo do Leonardo, que fala com lucidez: "O impacto de uma vampira heróica como Ângela Carne e Osso fica restrito a poucos pesquisadores e curiosos. Se não fosse por isso, o Brasil inteiro já estaria a seus pés".

Eu estou a seus pés Ângela. Completamente.

E sabe que após assistir ao filme eu elegi como nossa música (minha e de Ângela Carne e Osso) "Tigresa", cantada pela Gal, é lógico (alguma dúvida?):

Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel

Enquanto os pelos dessa deusa tremem ao vento ateu
Ela me conta sem certeza tudo o que viveu
Que gostava de política em mil novecentos e sessenta e seis
E hoje dança no Frenetic Dancin’ Days

Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair
Com alguns homens foi feliz com outros foi mulher
Que tem muito ódio no coração, que tem dado muito amor
E espalhado muito prazer e muita dor

Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz, vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão

As garras da felina me marcaram o coração
Mas as besteiras de menina que ela disse não
E eu corri pra o violão num lamento
E a manhã nasceu azul
Como é bom poder tocar um instrumento


 

Mortos que voam para trás

É impossível dizer
em quantas velocidades diferentes
se move uma cidade
a cada instante
(sem falar nos mortos
que voam para trás).




Depois do horror do caso do assassinato de Marcos Paulo da Silva, David Florêncio da Silva e Wellington Gonzaga Costa pelos 11 membros do Exército encarregados de “proteger” os moradores do Morro da Providência, fiquei pensando no que escrever...
É, porque diante de um absurdo como o do referido episódio a gente fica sem saber o que falar... Eu estava relendo o “Poema Sujo”, do Ferreira Gullar e achei que o trecho acima descreve com propriedade o escândalo das mortes.

O Suassuna deu título a um livro que eu invejo: “Poemas com Mote Alheio”. Eu invejo porque isso de pensar algo com o mote alheio é um recurso ultra empregado pela minha modesta (porém limpinha) pessoa. Diante da perplexidade da covardia dos soldados, eu acredito que talvez algo que explique o inexplicável da situação seja isso de visual do poema, do quase cinematográfico do poema: as velocidades diferentes que movem uma cidade...

Certamente enquanto os três jovens, negros, pobres eram mortos, alguém, na mesma cidade, assava um bolo; pintava as unhas das mãos de esmalte “Areia” número 35; lavava o banco traseiro do carro; aguava samambaias; traía o marido em um motel cheio de espelhos; comprava lapiseira, esquadro e borracha ao filho; pegava carona ao treino de futebol; estudava para a prova de álgebra; comprava pão francês, presunto e queijo na padaria da esquina; lia a última fofoca sobre a separação da atriz da novela das oito; pedia um pingado, “mais escurinho do que claro”. Simultaneamente vivemos na mesma cidade, no mesmo país, mas o que ocorre é que estamos tão absortos em nossos próprios umbigos que não comungamos mais do que um espaço físico.

Três jovens, negros e pobres, encontrados no dia 14 de junho no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada. David (24), Wellington (19) e Marcos (17) exibiam escoriações, mutilações e demais marcas de tortura. O Comando Militar do Leste (CML) informou que os rapazes foram detidos porque “desacataram” os soldados. Agora espera aí: que tipo de “desacato” três jovens negros, pobres, poderiam ter feito a brutamontes armados e fardados? Já não é “desacato” suficiente ter nascido num lugar pobre, com falta de saneamento básico, falta de educação, falta de perspectiva profissional? Não paro de visualizar a cena: imagine só, três jovens magros, negros, pobres, no morro. Sim, provavelmente eles deviam estar de chinelão imitation Havaianas (porque hoje em dia Havaianas é coisa cara, virou marca. Eu mesma tenho uma imitation que comprei no Méier por R$ 3,49). Tá, imagino os caras de chinelo, shorts, roupas leves e simples, pois estamos no Rio, é quente e além disso os rapazes são uns duros. Três pobres, pretos, de sandália imitation Havaianas “desacatam” homens armados do Exército.

Mas que tipo de “desacato” pode ter acontecido?

Não, não pára de entrar na minha cabeça o filme horrendo: e, com o momento da câmera em lentidão projeto a cena: a covardia se instaura. Quando estava em Dubai comprei o Corão em versão espanhol. Leia-se: “A pior forma de covardia é testar o poder na fraqueza do outro”.

Três jovens entregues à favela rival como carne jogada a bichos famintos pelo próprio Exército?
Três jovens de chinelo imitation Havaianas entregues como carne?

Hoje li o artigo “O impensável”, da psicanalista Maria Rita Kehl, na Folha de S. Paulo e não pude discordar de seu pensamento. Porque não foi um artigo defendendo bandeiras, daqueles de tom ufanista, querendo defender uma causa pela “paz” e essas baboseiras que a zona sul inventa para amenizar. Ela escreve algo muito honesto: “Quando membros corruptos da PM carioca mataram a esmo 30 cidadãos em Queimados, houve um pequeno protesto em Nova Iguaçu. Cem pessoas nas ruas, familiares dos mortos, nada mais. Nenhum grupo pela paz foi até lá. Nenhuma Viva Rio reuniu gente de branco a marchar em Ipanema. Ninguém gritou ‘basta!’ na zona sul. Não é a mesma cidade, o mesmo país. Não nos identificamos com os absurdos que acontecem com eles”.

Só que eu me identifiquei com o absurdo sim. Enquanto tentava escrever esse texto que tá truncado, ruim, que não se desenvolve pelo absurdo da situação e pelo absurdo que me impede de articular com propriedade uma lógica para algo que não tem lógica, lá vem o meu mano Lu e me diz: “Você ficou sabendo do cara que foi morto num cyber café em Londrina por uns malacos que se recusaram a pagar um real pelo uso das máquinas?”.

Espera. Eu me identifico sim. Identifico-me porque o cara morto poderia ser meu irmão. Identifico-me porque dias atrás fiquei ouvindo uma masturbation mental em uma rodinha sobre a violência, “está feio o negócio!”, é preciso fechar a janela do carro porque “esse povo que vende bala na JK é tudo bandido”... Eu já não sei mais como agir... Todos se trancando em seus muros enormes, todos se defendendo uns dos outros – uns entregues como carne de segunda; outros mortos por um real; outros ainda preocupados em comprar um ar-condicionado porque o verão vem aí e é preciso trancar a janela, trancar as portas.

Caralho! Que é que se faz? Não tem como não usar como mote um trecho do livro “Isto é um homem?”, de Primo Levi, escrito durante sua passagem em campo de concentração:

Isto é o inferno. Hoje, em nosso tempo, o inferno pode assim ser descrito: uma sala grande e vazia, com alguns homens cansados, obrigados a ficar em pé. Nela há uma torneira que goteja, mas de sua água não se bebe, e ficamos aguardando por algo realmente terrível, porém nada ocorre. Que pensar?
Já não se pode pensar, é como se estivéssemos mortos. Alguns se sentam no chão. O tempo transcorre gota a gota.

Eu não sei o que pensar... Nem o que escrever. Eu não sei escrever sobre absurdos. Eu não sei escrever sobre os “mortos que voam para trás” nem mesmo com mote alheio.


* * *

APÊNDICE (texto de André Naddeo - BOL)

Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, era o mais novo dos jovens assassinados. E o que tem a história mais irônica: seu sonho, desde garoto, foi ingressar no Exército. "Ele sonhava em fazer logo 18 anos para poder se alistar, ele queria usar farda e tudo o mais", relembra a mãe, Maria de Fátima Barbosa, 48, agora indignada ao ver que, supostamente, seu filho foi levado justamente por militares e entregue a uma facção criminosa. Desde cedo, para seu próprio sustento e dos seus outros seis irmãos, ajudava a mãe descarregando caminhões de areia em obras dentro da própria comunidade da Providência. "Ele arrumava um dinheirinho com isso, né. A gente não tinha dinheiro, sempre passamos por bastante dificuldade", conta.


 

Salve José Clementino Bispo dos Santos!!!

Cântico à natureza
Jamelão
(Composição: Nelson Matos/ José Bispo/ A. Lourenço)

Brilha no céu o astro rei com fulguração
abrasando a terra anunciando o verão
outono estação singela e pura
é a pujança da natura
dando frutos em profusão

Inverno, chuva, geada e garoa
molhando a terra preciosa e tão boa
desponta a primavera triunfal
são as estações do ano
num desfile magistral

A primavera matizada e viçosa
pontilhada de amores
engalanada, majestosa
desabrocham as flores
nos campos, nos jardins e nos quintais
a primavera é a estação dos vegetais

Oh! primavera adorada
inspiradora de amores
Oh! primavera idolatrada
sublime estação das flores




http://br.youtube.com/watch?v=xZWYaLFP1aU&feature=related


 

Nadja

Quem sou eu? Se pudesse metaforizar esta questão, talvez seria com algo como "a quem assusto?". Devo admitir que esta palavra realmente pode soar confusa, tendendo a permanecer entre as relações pessoais com certos seres que a mim me parecem tão estranhos, tão apegados à minha existência, inquietando meu espírito. Sim, o significado desta palavra vai muito além do que se revela à superfície. Por isto mesmo, ela, a palavra viva, não me oferece alternativas a não ser viver em estado de enigma, de modo que eu necessito "não ser" para poder, de fato, ser. E por mais distorcida que tal idéia se demonstre, a palavra... ah! a palavra sugere que aquilo que eu considero objetivo delibera que as manifestações de minha existência são meramente premissas, e, com os limites desta existência, manifesta-se uma ação cuja verdade é completamente desconhecida.
(Versão própria do primeiro parágrafo de Nadja, de Breton, 1928. Fonte: da trad. em inglês de Richard Howard)



 

Infância


Meninos em curral de gado no Brasil
(Fonte: hormoniosas.blogspot.com)


Menina no Timor
(Fonte: populo.weblog.com.pt)


Mãos...
(Fonte: www.anda.ca/fotos/2007/01/147647.jpg)


Serra Leoa
(Fonte: www.viomundo.com.br)


[...] um primeiro grito desencadeia todos os outros, o primeiro grito ao nascer desencadeia uma vida...
(Clarice Lispector em "A Paixão segundo GH")


 

A Capadócia mora em mim

Tendo lido várias versões sobre a história do meu Jorje, Ogunzão que me abre os caminhos, bem, a mais notória é que ele foi um sorrrrdado lá pras bandas de Roma que não quis negar sua vida cristã.

Após a morte do pai, mudou-se da Capadócia (Turquia) à Palestina, terra de sua mãe. Ocupou altas posições no exército romano. Foi decapitado na perseguição do Imperador Diocleciano, no ano 308, na Palestina. Isto porque o meu Santo converteu Alessandra, a esposa do Imperador. Quando ela recebeu o batismo, Jorge foi degolado. Das ist kaput!

Existe todo um simbolismo envolto no martírio de Jorge. Venceu o Dragão de Silene na Líbia com sua lança, salvando a vida da filha do imperador. Sua sepultura encontra-se na cidade de Lídia, na Palestina.

No século XII, a arte, literatura e religiosa popular representam São Jorge, como o soldado das Cruzadas, com manto e armadura com cruz vermelha, ereto sobre um cavalo branco, com lança em punho, vencendo um dragão. Ou, em outras palavras, Jorge é o cavaleiro da Cruz que derrota o dragão da maldade.



É engraçado que há vários séculos há peregrinações ao túmulo do meu Jorge. Seu santuário já foi destruído e reconstruído uins paaaaarrrrr di veiz durante a história. Santo Estevão, rei da Hungria, reconstruiu esse santuário no século XI. Foi o Papa Bento XIV (1740-1758) que fez São Jorge, padroeiro da Inglaterra até hoje. Em 1420, o rei húngaro, Frederico III (1534) evoca-o para lutar contra os turcos. Olha só a ironia: Jorge é, de fato, turco!!!

Mas é preciso deixar arrrrrgo bem craro! Ou como diz meu padrinho querido: "Broco é broco e crube é crube". A alegoria Ocidental de Jorge como guerreiro, padroeiro dos cavaleiros da Cruz e das ordens de cavalaria para libertar todo país dominado e para converter o povo no cristianismo é simples: ele mata um dragão. Expricaçãozis: os gregos começaram a representá-lo assim. O dragão simboliza a idolatria que ele enfrentou com as armas da Fé, e a donzela que o Santo defende representa a província da qual ele extirpou as heresias. A ata laudatória dos feitos dos mártires (Passio), que narra a vida de Jorge, é bem antiga e contém elementos legendários. Segundo sua primeira redação, Jorge era originário da Capadócia (região da atual Turquia).

Mas um dos fatores que mais me agradam em Jorge é que além da crença cristã, ele também está presente na Umbanda, representado por Ogum. E Ogum, vejam só que coincidência, é meu Orixá! Sabia disso antes de ter essa veneração toda por Jorge!
Jorge é lindo porque Jorge, antes de qualquer coisa, é Brasil!

Amo Jorge com todas as minhas forças! Quando estive na Capadócia senti a maior emoção de toda minha vida! Eu, Jue e Rajaiea... A melhor viagem, a melhor... Foi algo surreal, mágico, sem explicações... Nós três explorando todas aquelas ruínas que serviam de esconderijo para os cristãos nas perseguições! Eu me arrepio com todo aquele cenário até hoje. Ai que saudades daqueles dias de frio, sol e felicidade, mochila nas costas, pouca comida, pouca vaidade, algo forte de espiritualidade... Nós três, andando por aquelas estradas sem fim!

Foi a partir daí que comecei a ter essa grande devoção por Jorge, o meu santo protetor. Ele está sempre sempre sempre ao meu lado. Amo Jorge, creio em Jorge, meu Ogum, e que ele teça meu caminho, sempre.

Meu caminho está nas mãos ceifadas de Jorge.
Mas "quem me levará sou eu", como diz aquela cançãããã do Dominguinhos e do Manduka.

Eu e Jorge.

Hoje tava prolixa, mas tudo bem, eu sou prolixa.

E agora com licença porque eu vou trabalhar.


 
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