Banheiro público

Excelente pra quem quiser versão online de dicionário. Basta ir ao link abaixo:

http://www.ieb.usp.br/online/

O dicionário do IEB da USP está fantástico. São oito volumes que compõem a obra, publicados ao longo de nove anos: volumes I e II, em 1712; III e IV, em 1713; volume V, em 1716, volumes VI e VII, em 1720 e o volume VIII, em 1721. Aos 8 volumes juntaram-se outros dois de suplementos publicados entre 1727 e 1728, contendo mais de cinco mil vocábulos que não constavam nos volumes anteriores.
Trata-se de um dicionário fascinante porque, além de ser totalmente acessível, eis o compêndio do mais puro creme do milho verde da língua portuguesa. É coisa de raiz mesmo, dicionário não só etimológico - sobretudo trata da essência do idioma português, tão maltratado atualmente... Só para constar um exemplo nos anais, quinta-feira estava linda e formosa vindo pra UEM quando paro no sinal atrás de um caminhão. O que estava escrito na carroceria? "Faiz fletes". Sem brincadeira!!! O cara se superou!!! Mas também, a língua não permanece intacta, afinal é resíduo da condição sócio-econômica-cultural-blá-blá-blá da fala, né meu nego?



E agora uma frase horrível que encontrei na porta do banheiro feminino do prédio da Letras na USP mês passado: "A diferenca entre cagar e dar o cu é meramente vetorial". Aiaiai!!!


 

Qualédadinho?

O que te digo deve ser lido rapidamente como quando se olha.
Eu, que quero a coisa mais primeira porque é fonte de geração – eu que ambiciona beber água da nascente da fonte –, eu que sou tudo isso, devo por sina e trágico destino só conhecer e experimentar os ecos de mim, porque não capto o mim propriamente dito. Estou numa expectativa estupefaciente, trêmula, maravilha, de costas para o mundo, e em alguma parte foge o inocente esquilo. Plantas, plantas. Fico dormitando no calor estivo do domingo que tem moscas voando em torno do açucareiro. Alarde colorido, o do domingo, e esplendiz madura. E tudo isso pintei há algum tempo e em outro domingo. E eis aquela tela antes virgem, agora coberta de cores maduras. Moscas azuis cintilam diante de minha janela aberta para o ar da rua entorpecida. O dia parece a pele esticada e lisa de uma fruta que numa pequena catástrofe os dentes rompem, o seu caldo escorre.
Para me refazer e te refazer volto a meu estado de jardim e sombra, fresca realidade, mal existo e se existo é com delicado cuidado. Em redor da sombra faz calor de suor abundante. Estou viva. Mas sinto que ainda não alcancei os meus limites, fronteiras com o quê? sem fronteiras, a aventura da liberdade perigosa. Mas arrisco, vivo arriscando. Estou cheia de acácias balançando amarelas, e eu que mal e mal comecei a minha jornada, começo-a com um senso de tragédia, adivinhando para que o oceano perdido vão os meus passos de vida. E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca. E tudo isso ganhei ao deixar de te amar.
Escrevo-te como exercício de esboços antes de pintar. Vejo palavras.

(Água viva, 1973 - Clarice Lispector)


(Sonho de uma Prostituta - Cícero Dias)


 

Vamos saravar!!! YAÔ!!!

Hoje o dia tá de lascar!
Primeiro que é dia de Jorge!
Salve Jorge!
Meu Jorge!
Meu Ogun que sempre abre os caminhos e empurra paz e coragem pra minha alma.
Continue ceifando meu caminho Jorge, continue...
Eu te amo Jorge!!!
Minha paixão por Jorge é coisa de raiz mesmo. Eu me apaixonei por Jorge na Capadócia, em 2001.
A Capadócia é o lugar mais lindo desse mundo. Duvido que vou conhecer outro lugar tão mágico, duvido mesmo... Foi lá que Jorge entrou em mim. Entrou como coisa de árvore, que fica, que não sei nem com água nem com ablução.
Ju, obrigada por ter me levado pra lá, obrigada por ter me dado essa alegria e esse espanto.
E obrigada Rajaiea... Ainda que você não veja essa mensagem, obrigada.

É, pois é, como se não bastassea, hoje é também aniversário de Pixinguinha!!! Cento e onze anos de Pixinguinha! Cara@#$%&*^%!!!!!



Eu sempre acreditei que não há coincidências, pois a gente precisa de uma pitada de misticismo pra viver... Mas caralho, Pixinguinha nascer no dia de Jorge, isso daí já é coisa sobrenatural, "supernatural" como diria o meu querido vizinho Steve Wonder... Só sei que dá uma alegria imensa ter nascido no mesmo país que esse "gênio da raça". Obrigada Pizindim! Obrigada "pequeno bom" por ter sido tudo isso e quando eu te escuto eu sinto que eu tô no lugar certo, na hora certa, na vida certa.
Para quem quiser saber mais do Sr. Alfredo da Rocha Viana Filho, décimo quarto filho de uma família musicial, pra quem quiser saber mais desse flautista, saxofonista, compositor, cantor, arranjador e regente, pai do Choro e filho de Ogun, a dica é o seu site oficial: http://www.pixinguinha.com.br
O site é excelente, dispondo de sua biografia, seu acervo, fotografias, depoimentos, etc... etc... e tal. Vale a pena entrar e fuçar na "mundiça", como diriam meus conterrâneos de Santo André, Paraíba. Tem inscruzivi o link pra rádio do Instituto Moreira Sales, que oferece uma gama de seu trabalho.
Então tá, tô efuziva, tô passando até mal de tanta felicidade pelo dia de hoje. É data, sei que é invenção humana isso de datar e dedicar dias pro santo ou pras pessoas, mas eu compro essa idéia, ou melhor, eu compro esse gesto.

YAÔ! YAÔ! Há uma festa de YAÔ!!!! E aí tem nega de Ogun, de Oxalá, de Iemanjá, mucama de Oxóssi caçador!!! No terreiro de Preto Véio iaia, vamos saravar!!!!



Saravá Ogum!!!!!!!!

Já andei pelo mundo afora, já andei...


 

Na floresta do alheamento

Aos meus irmãos

Na infância havia a umidade leve da inocência deslocada nos atos e pensamentos de crianças que brigavam e brincavam em intensidade pareada. E aquilo era uma alegria. Mesmo as brigas. Até quando o irmão mais velho atracava no pescoço do mais novo e a mais nova grudava os dedos no emaranhado dos cabelos da mais velha. E os gritos saiam pela casa. Na adolescência a guerra se instaurou por motivos distintos: já não era mais o pacote de bolacha de morango o motivo da discórdia – agora era a posse do carro. Não se pegavam aos tapas, isso não, porém berravam para fazer prevalecer o domínio sob os objetos de disputa. Nessa época o mais velho não usava mais shorts de time de futebol: agora eram as calças boca de sino. A mais nova, com menos sardas, exibia os cabelos curtos. O mais novo, os caracóis longos. A mais velha continuava com os cabelos embaraçados.

O que está na memória não se nomeia. Não se deve chamar pelo nome aquilo que um dia foi. E assim a pessoa sente em vida que é somente na distração que aquela música que queria tanto ouvir toca na rádio numa tarde inesperada no trânsito, e é só na mais pura desatenção que o amor te cruza olhares numa banca de esquina às seis da tarde, e é no minuto esquecido que você encontra a surpresa de uma carta num mês de maio qualquer, como também é na distração da caminhada rápida por avenidas largas que a pessoa se olha no espelho e percebe que o rosto envelheceu, e é somente e tão somente na validade da distração que se entende que nós quatro éramos um.


(Portinari - Circo, 1932)


 

Giorgos Seferis (Trad. Darcy Damasceno)

Nós que nada tínhamos, lhes ensinaremos a paz.

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(Tarsila - Pastoril, 1927)

Dá-nos, fora do sono, a serenidade.

Teus olhos vão esvaziar-se da luz do dia,
como se calam, de repente, juntas, as cigarras.

Como juntar
os mil ínfimos resíduos
de cada homem?

Minhas mãos se perdem e me voltam,
mutiladas.

Mulher nua
a romã que te pariu estava
cheia de estrelas.


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(Tarsila - A Lua, 1928)


 

O retrato fiel

Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.
(Gilka Machado)


 

A punto de ser : ¿qué? No lo sabemos. Entre la pregunta y la respuesta brota ese algo que nos cambia y que convierte el hombre en una criatura imprevisible.
(Octavio Paz)

Entre a pergunta e a resposta: eis o lugar do hiato.
E esse hiato é o fio que corta toda a minha dimensão.
Fio amolado para entrar na carne do abstrato e revelar
todo o meu não-saber.

"Aí maluco, eu vô te dizer qual é a parada: eu só sei que não sei de nada porra!". Se o Sócrates fosse vivo ele expressaria algo assim pros brothers dele no boteco. E o pior é que iam dizer que ele estava ou doido de pinga ou de crack.

O cânone é o cânone meu fio. Não há o que se fazer.



(Estrada de Taperoá, terra do Mestre Suassuna, a caminho de Santo André, PB - o sertão nordestino é mágico, surreal. Melhor lugar do mundo)


 

Trago seu homem em 10 dias

Descobre, vê, mostra os seres da vida primeira; faz viver para nós esse grande tempo imóvel onde os seres nascem e crescem como hastes inflexíveis, onde os homens são, desde o primeiro surgir, seres sobre-humanos
(Bachelard)



 
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