A veia no pulso

Penélope, que tece e desfaz a teia ardilosa

Meu fascínio por Bernardo Soares...

Fragmento 12
Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. [...] Faço paisagens com o que sinto. [...] Desenrolo-me como uma meada multicolor, ou faço comigo figuras de cordel, como as que se tecem nas mãos espetadas e se passam de uma criança para as outras. [...]
Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. [...]. Crochê das coisas. Intervalo... Nada...


Fragmento 299
Cada vez que viajo, viajo imenso!
[...] ao passar diante de casas, de vilas, de chalés, vou vivendo em mim todas as vidas das criaturas que ali estão. Vivo todas aquelas vidas domésticas ao mesmo tempo. Sou o pai, a mãe, os filhos, os primos, a criada e o primo da criada, ao mesmo tempo e tudo junto, pela arte especial que tenho de sentir ao mesmo (tempo) várias sensações diversas, de viver ao mesmo tempo – e ao mesmo tempo por fora, vendo-as, e por dentro sentindo-as – as vidas de várias criaturas.


null
(Vendedor de frutas - Tarsila)

Eu também me desenrolo como uma meada multicolor, como uma teia de aranha que se faz e refaz tantas vezes e tantas outras...
Sou,
inexoravelmente,
octogonal.

Publicado em 21 de setembro de 2007 às 10:36 por gh

Comentários

Seja o primeiro a comentar este post!

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

captcha

Digite os caracteres da figura acima. Temos que fazer isso para evitar spam.

Ainda não é cadastrado? Cadastre-se agora!