Hoje é dia quente.
O ar está parado, o rosto molhado, tarde nos trópicos.
Janis (a Ávila, a Rainha do Mar) me convidou para começar o blog há dias, mas não deu. Fazer traduções sobre plataformas de petróleo pode ser a ação mais cansativa e "pé no saco" que alguém pode fazer por dinheiro. (Se bem que pior ainda deve ser ficar entregando panfleto na JK...).
Enfim, liberta da chatice da tradução (pelo menos por essa semana), eis que volto a ter um blog.
Ressuscitei "A veia no pulso".
E não poderia começar diferente. Cito G.H.:
Ah, mas para se chegar à mudez, que grande esforço da voz. Minha voz é o modo como vou buscar a realidade; a realidade, antes de minha linguagem, existe como um pensamento que não se pensa, mas por fatalidade fui e sou impelida a precisar saber o que o pensamento pensa. A realidade antecede a voz que procura, mas como a terra antecede a árvore, mas como o mundo antecede o homem, mas como o mar antecede a visão do mar, a vida antecede o amor, a matéria do corpo antecede o corpo, e por sua vez a linguagem um dia terá antecedido a posse do silêncio.
Às vezes o silêncio fala mais do que essa boca cheia de dentes e saliva. O romper do sol contra os gravetos dos eucaliptos lá fora é mais duro do que minha palavra.
Sempre será.
Aquilo que não se diz - é dessa parte pétrea que sou feita.
E o deserto pode ser tão largo...